terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A idade do verme.

Hoje dei por mim a verbalizar um sentimento que me incomada sobremaneira.
Sou um verme ou uma mulher?
O verme é um bichinho invertebrado. Tem dias em que sinto que a minha coluna vertebral me abandonou e partiu para parte incerta.
Nesses dias, sinto-me um verdadeiro verme, porque me dobro e desdobro, sem qualquer dificuldade aparente. Depois, cansada de me retorcer, tento, desesperadamente procurar a minha coluna desaparecida, porque uma mulher não pode passar os dias a torcer-se e a contorcer-se, tem que se manter, direita, caminhar na estrada da vida, rumo ao seu objectivo, de pé, inteira, decida e ciente de que sabe quem é, o que quer e para onde vai, e isso só consegue depois de recuperar a sua coluna , ou seja no momento em que deixa de ser verme e passa a ser mulher.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Porto Covo

São 11 horas da noite e chove ininterruptamente desde as 6 da tarde.
O terreno está cheio de pequenos lagos. Tudo é muito verde, mas as ervas escondem vários charcos de água cuja profundidade chega quase aos joelhos.
A ventania é forte, e ouve-se nitidamente o barulho das ondas do mar, que, segundo os locais, atingirão cerca de 8 metros.
Hoje, nem os surfistas de São Torpes se atreveram a surfar.
Está escuro como breu, e o vento entra em casa pelas frestas das janelas e da porta.
A salamandra acesa queima lenha e vai aquecendo o ambiente, que apesar de tudo, parece um pequeno oásis de conforto no meio do pantanal em que o terreno à volta se tornou.
Mesmo sem electricidade de rede, aqui estou, em frente ao lume, teclando, escrevendo baboseiras, gastando o tempo que resta para me enroscar nos cobertores da minha cama.
Amanhã também chove, espero que menos, pois preciso de tratar do jardim.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Este inverno transformado num inferno.

Vivemos dias invernosos que transformam a vida num inferno.
Por razões que a razão desconhece, começam a vir a lume, questões de pretensa insenção jornalistica, que, mais parecem manobras económicas e financeiras, para que, ora um grupo económico ora outro, tentem o controlo da comunicação social, mercado há muito apetecido, politica e economicamente.
No meio de todos estes jogos de poder, consegue, pelo menos vislumbrar-se um retrato da nossa democracia ou do simulacro que é a nossa democracia.
Teorias da conspiração, envolvimentos ao nível dos mais altos poderes políticos, tudo apenas e só com um único objectivo: Toda esta gente envolvida, quer tenham sido eleitos ou não, apenas se querem governar a si próprios. Governar no sentido de obterem vantagens monetárias para si e para aqueles que lhes estão próximos.
Para atingir o objectivo não hesitam em destruir tudo à sua volta.
A Justiça é o que é. A comunicação social há muito que deixou de ser isenta e imparcial. A classe politica envolvida em escandalos recorrentemente, a alta finança segue pelo mesmo caminho.
Após o desfecho destes casos jornalisticamente mediáticos, o que vai mudar em Portugal?
Nada. Zero. Se estes personagens sairem de cena, outros virão, que, com o mesmo objectivo dos anteriores, prosseguirão na sua busca de enriquecimento ou manutenção dos privilégios que possuem, enquanto que o Povo, ou porque se está nas tintas, e tenta ele também "desenrascar-se" o melhor que pode, ou porque simplesmente, acha natural que assim seja. Quem vai ao pote do mel, tem que lamber os dedos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A outra face da publicação das escutas.

Todos os dias os noticiários dedicam grande parte do seu tempo a falar do conteúdo das escutas que os jornais publicam.
A publicação das escutas, cujo conteúdo é classificado como sendo conspirativo, quer pela forma como são publicadas, quer como dentro do contexto é que se inserem.
A divulgação destas escutas coloca em confronto vários direitos constitucionalmente garantidos.
Se, por um lado, o direito à informação é legítimo e deve ser exercido, sem qualquer censura, porque deriva do direito à liberdade que todos os cidadãos têm, por outro, a publicação de escutas que não serão usadas como meio de prova em nenhum processo judicial, têm como efeito imediato, condenar de imediato os visados em tais escutas.
Estas condenações na praça pública, fora do âmbito do direito e dos Tribunais, são violadoras de direitos constitucionais que a todos são caros.
Podem, de facto, destruir por completo a vida dos visados, mesmo que esses nunca tenham sido constituídos arguidos em processo nenhum, e nunca cheguem a ser julgados pelos Tribunais.
Para além do perigo de serem apanhados nestas condenações pessoas presumivelmente inocentes (mantendo-se inocentes até trânsito em julgado de alguma decisão condenatória), estas pessoas, que, repita-se, nem sequer foram constituidas como arguidos, logo nem suspeitos são, vejam devassada a sua vida privada, lendo excertos descontextualizados de conversas telefónicas que mantiveram, na convicção plena de que não passavam disto mesmo: conversas privadas.
Não quer isto dizer que do conteúdo das escutas não perpasse alguma noção de conspiração,, para negócios menos claros ou até mesmo ilegais.
Porém, admitindo sem questionar, esta devassa da vida privada e esta condenação em praça pública de presumíveis inocentes, estamos a abrir o caminho, não só para o avanço da censura, como também para o desvirtuar do direito de protecção à reserva da intimidade e da vida privada.
Os dois direitos em confronto, direito à informação e direito à protecção da reserva da vida privada, têm que ser execercidos pelos orgãos próprio, este também direito emergente da Democracia em que vivemos, os Tribunais. São eles quem tem a missão de julgar e condenar, não a opinião pública, nem os Jornalistas. Só assim se garante a integridade do regime democrático.
O Povo não pode nem deve julgar, deve sim, saber quem deve eleger para o representar.
E tal escolha tem que ser criteriosa, consciente e esclarecida.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O amor virtual ou o engate "on line"!

Navegando pela rede deparo-me com frases mais que batidas, ditas e reditas vezes sem conta, afixadas em inúmeras salas de conversação, a que gosto de chamar de "engate on line": Procuro mulher, procuro homem, procuro curtes, procuro amigos.
Os apelos do "procuro", revelam uma realidade que, de repente deixa de ser vitual.
Os "procuro" da rede serão, talvez, uma forma de preencher horas e dias de solidão imensa, porque os seres humanos existem como seres sociais, tendo por isso essa necessidade de procurar outros seres que comunguem da mesma necessidade. São a nova versão dos velhos convivios das aldeias.
Também há aqueles que sofrem doutro tipo de solidão: são os que, não estando nem física nem emocionalmente sós, se divertem a "engatar".
Esta espécie, esconde-se atrás do relativo anonimato da rede, para lançar a sua teia de pseudo sedução, trocando, inicialmente, inocentes, fofos e girissimos post's e, num estado mais avançado da teia, grandes obras de arte denominadas "hardcore".
Também me deparo com aqueles que, sedentos de saber, navegam pela rede, incessantemente, à procura do conhecimento, da sabedoria, e não muitas raras vezes, "bebem", sem peias, tudo o que encontram, sem conseguirem descortinar a verdade da mentira, e sem terem ninguém com quem partilhar tudo o que apreenderam.
Existe ainda uma outra categoria de navegantes, na qual me incluo, que gosta de viajar, falar com os amigos (não virtuais), debater ideias, enfim, conviver.
Dou por mim a pensar que todas estas pessoas, de tanto se procurarem, acabam inexoravelmente, tristes e sós, em frente a um computador, diante de uma gigantesca rede social, composta por caras, fotografias, diminutivos ou alcunhas, (absolutamente rídiculos) mas completamente VAZIA.
(e agora desligo-me, porque começo a reconhecer-me neste retrato).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

À procura de amor e amizade na Net.

Todos, incluindo eu própria, gostamos de vir à "net".
Navegamos por aqui e por ali, lemos noticias, blogs, mensagens, enfim uma parafenália de informação que tentamos assimilar à mesma velocidade com que os dados circulam.
Este fascínio pela Net, para mim que não sou psicológa, tem várias razões: Para uns é a solidão, a necessidade de se fazer ouvir a coberto de um certo anonimato, sob alcunhas, diminutivos, enfim, qualquer pretexto que sirva para não se revelar totalmente a nossa identidade; Para outros, é uma forma de partilharem com uma quantidade enorme de desconhecidos e alguns conhecidos, o que lhes vai na alma, as fotos de família e de amigos; e ainda para um outro seguemento, é até uma forma de se tornarem Famosos.
É verdade, muita gente pensa que ser conhecido na Net, é ser famoso.
Isto tudo para dizer que a Net, como tudo na vida, tem que ser encarada e analisada com espírito critico, sabendo em cada momento, distinguir o trigo do joio, o que é verdade do que é mentira.
Saber identificar um logro, disfarçado de palavras bonitas, ou de mensagens idilicas, é quase uma arte.
A Net tem tudo, à semelhança do mundo real, coisas boas e coisas más, mas o que mais me surpreende, é a quantidade enorme de pessoas que procuram neste vasto mundo virtual, frio e impessoal, amizade e amor.
Será que é aqui que se encontram esses sentimentos?