quarta-feira, 31 de março de 2010

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Sitios Mágicos.

Existem locais que, pela sua beleza, nos deixam sem respiração, nos fazem sentir do tamanho de
uma formiga neste nosso Universo.Locais onde vamos e tornamos a ir e de cada vez é sempre
como se fosse a primeira.Onde a natureza se mostra como é: indomável.
Locais que na nossa mente, se tornam únicos, nossos, como se fossem o "nosso cantinho," que sentimos como se fizessem parte do nosso corpo.
Pedaços de céu, de mar, de terra, pássaros, cheiros, tudo, em certos sitios nos deixa em paz, connosco e com o Mundo e nos reconduz à nossa real dimensão.
Locais que são como que um Santuário.
E, como todos os Santuários, por vezes são profanados.
E o meu "sitio especial", foi profanado. Nunca mais vou conseguir sentir o que sentia.Nunca mais vou conseguir encontrar a paz interior ao olhar aquele sitio.
E isso dói. Muito.

sexta-feira, 19 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Quarta

Conheci uma mulher com 63 anos.Empresária.Durante 42 anos construiu um negócio de família, com o marido e os filhos.Toda a sua vida trabalhou ombro a ombro com o marido, e à noite, em casa, era ela quem fazia tudo o resto para que a casa da família fosse um lar.
Nos dias em que o estabelecimento esteva fechado, o marido e os filhos iam passear, descansar, e
ela tratava das roupas, da limpeza da casa, das compras, das ementas dos jantares diários, etc...etc...Um dia, descobriu que os filhos já não precisavam da mãe, e o marido já não precisava da mulher.
Ele passou a sair com outras mulheres, como nunca saiu com ela. Os filhos começaram a levar-lhe os netos para cuidar no dia de folga e nas noites.
Está á beira da reforma do trabalho, da reforma do marido, dos filhos. Está sózinha.
E quando já não tiver que ir para o estabelecimento todos os dias, vai ficar sentada, em casa, em frente ao televisor, meio a dormir, meio acordada, a ansiar por aquele momento em que os netos cheguem para se sentir de novo viva.
No fim de uma vida inteira dedicada aos outros, ao trabalho, onde não sobrou nem tempo nem espaço para ela, o que vai ser desta mulher?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Terceira

Conheci uma mulher de 18 anos que tinha um bebé de 3 meses.Era solteira, apaixonada pelo pai do filho.Ele, de modos bruscos, ríspido, reduzia-a permanentemente à condição de bicho, anulava-lhe a vontade, não a deixava abrir a boca. A mulher menina não voltara à escola porque ele não queria. Ela vivia com os pais é com o bebé. Um dia, o pai da menina quis estabelecer regras de vida para a mãe, para o bebé, para o pai.
Estabeleceu horário para as visitas paternais, pelo menos que estas ocorressem quando o bebé estava acordado.
Tentou que o pai cumprisse com a obrigação de pagar pensão de alimentos.
Tudo em vão.
O pai do bebé queria porque queria, entrar em casa da namorada e do filho à hora que quisesse, quanto aos alimentos, os avós que pagassem.
Uma noite, perto da meia noite, a campainha tocou em casa da menina mulher.
A porta da rua foi aberta, e ele entrou pelo prédio, galgou os degraus dois a dois, brutalmente, deu um murro na porta do apartamento, e quando a abriram, entrou por ali dentro, em fúria, e empunhando uma pistola, disparou em todas as direcções. A primeira bala atingiu a avó da bebé, as outras perderem-se nas paredes e na porta do quarto, onde a menina mulher se encontrava, enrolando com o seu corpo franzino o seu filho, protegendo-o da fúria do pai.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A Segunda.

Conheci uma mulher, quando ela já tinha 6o anos de idade.
Tivera uma vida sofrida.Fora abandonada pelo companheiro, quando ainda era uma adolescente e tinha um filho bébé nos braços. 2 ou 3 anos depois, refez a sua vida, casou-se, e o seu filho passou a constar no registo civil como filho do seu marido. Teve uma outra filha.Nunca exerceu qualquer profissão, a não ser a de dona de casa. Criou os filhos, tratou do marido, manteve um lar durante mais de 30 anos.
Durante mais de 30 anos sofreu violência físicia, psicológica, e ouviu, invariavelmente, a ladaínha do marido, (que se embedava 7 noites por semana) de que ela só tinha que estar agradecida por ele ter criado o filho dela, sustentando-o.
O filho, desde muito novo, entregou-se à droga, a filha rapidamente saiu de casa.
Aos 60 anos, esta mulher estava sózinha.Um dia ganhou coragem e levou até ao fim uma das inúmeras queixas de violência doméstica. Que, agora em sede de Julgamento, o Juíz, conseguiu que desistisse, perdoando o marido. Mas, adomestou energicamente o marido, de que se voltasse a entrar naquele Tribunal, seria mesmo condenado e cumpriria pena de prisão.
O marido respondeu ao Juíz: "Se ela se portar bem, eu não lhe bato, mas se estiver sempre a chatear porque ponho os pés em cima da mesa, atiro a roupa para o chão, então não posso prometer nada."
Passados dois anos soube que esta mulher se divorciou, (finalmente), fez a sua mala, e foi-se embora da casa que era a sua, mas que nunca foi sua. Tinha 60 anos 38 anos de casamento.Nunca mais soube dela.

domingo, 7 de março de 2010

Histórias de Mulheres - A Primeira.

Conheci uma mulher que, desde muito nova, tinha um sonho romântico:
Encontrar o amor da sua vida, que havia de chegar montando num cavalo branco, ou na sua versão moderna, numa Harley, traria um capacete, bonito, óculos de sol, barbas, gostaria de um bom pé de dança, das músicas do Tony Carreira, e seria capaz de construir uma casa que se pareceria com um palácio, que tivesse uma lareira,daquelas à antiga, como as das casas do Alentejo, trazendo-lhe à memória imagens da casa da sua infância.
O seu cavaleiro, veio, construiu a casa com a lareira, e esta mulher ficou rendida a seus pés, e depois, ele foi-se embora. A partir daí, viveu num inferno até ao fim dos seus dias.Alternando entre um estranho sentimento de amor/ódio, vagueava pelo seu palácio vazio, sentava-se à lareira e fitava fria e intensamente o lume que ardia, depois levantava-se e chorava noite dentro, até se render ao cansaço, para no dia seguinte, receber o seu princípe de braços abertos, na vã esperança de que o regresso diário, significasse o regresso definitivo ao palácio. Morreu jovem, e ainda hoje acredito, que mais do desgosto do que da doença.

terça-feira, 2 de março de 2010

Ser Mulher

As mulheres, dizem os homens,devem ser BBB (boas, bonitas e baratas).
Em contrapartida, as mulheres dizem que o homem ideal é BBR (bom, bonito e rico).
Esteorótipos.
A realidade é que, por vezes, o amor acontece, e faz cair por terra as convicções destas pessoas.
E mesmo quando o amor acontece, à mulher é-lhe exigido que seja sempre bonita, muito sexi, eficiente, boa educadora dos filhos, boa dona de casa, boa profissional.
Esperam até que seja uma barra em compras, que saiba quando comprar as cuecas e as meias, as camisas, as calças, enfim, que consigam fazer aquelas coisas que eles não gostam nada de fazer.
Os homens querem uma companheira, uma amante, uma mãe, uma excelente profissional, de preferência que tenha uma carreira que produza bons rendimentos, que possam ser usados no bem estar da família.
A verdade é que após anos de luta pela igualdade de direitos, as mulheres de hoje ainda vivem o mesmo estilo de vida que as suas avós.
É certo que conquistaram alguns direitos, mas a que duras penas?
Uma mulher é actualmente um "produto", do tipo "leve três, pague um".
Quando começam a perder as qualidades físicas que lhe permitiam ser 3 em 1, transformam-se em produto descartável.
A partir deste início do "princípio do fim", as mulheres são facilmente trocadas por outras (também com rotulo de produto descartável), que sejam mais bonitas, mais sensuais, com maior disponibilidade, com quem iniciam de novo o jogo do "amor acontece".
Para onde caminha a humanidade?