Às vezes parece-me que o desejo nacional, aquilo que motiva todos os comuns mortais, é a vontade de serem "famosos". Tal vontade é tão forte que move montanhas, como a fé.
As pessoas tudo fazem para aparecer, nos jornais, nas revistas, na televisão, na rádio, em blog's, nos círculos de amigos, nos locais de trabalho, enfim, em todas as circunstâncias em que surge uma oportunidade, lá aparecem, como se fossem o "emplastro" das reportagens televisivas. Umas vezes gritam mais alto que os outros, outras vezes espreitam por cima do ombro do entrevistador, acenam para a câmara,pintam o cabelo de verde, ou roxo, ou vermelho,põem-se em bicos de pés, para ficar mais altos e se verem melhor, escrevem os seus pensamentos,partilham com todos aquele seu desejo de ser famoso, lêem e relêem aquilo que escreveram, uma e outra vez, na esperança que os contadores de leituras lhes tragam de volta a satisfação de ver que aquilo que escrevem é importante para os outros e que isso os torna, de certa forma, famosos, ainda que sejam eles próprios a contribuir para o avanço de tais contadores.
Triste percurso o destes candidatos a famosos. Mais valia inscreverem-se num qualquer reality show, porque, certamente, aí se tornariam famosos em três tempos, sem ser neceessário fazer avançar os contadores de leituras.
domingo, 9 de maio de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
DESCARTÁVEL
Corremos todos os dias de casa para o trabalho e vice versa. Corremos para fazer o jantar, para ir buscar ou levar os filhos à escola,para estender a roupa, pôr outra a lavar, e, finalmente, corremos para o sofá, exaustas, meio mortas, onde caímos num estado semi adormecido, olhar fixo na TV, nao vendo sequer, as cenas que se sucedem, imagem a imagem no ecran.
Corremos no dia a dia, como se da corrida dependesse estarmos vivos,esquecendo que de tanto correr, chegamos mais depressa ao fim.
Corremos numa espécie de fuga para a frente, passando, no afã de tanta correria, por cima de sentimentos, de estados de espírito e até de pessoas.
Corremos para atingir um fim, um objectivo, indiferentes ao que se passa ao nosso lado.
Corremos todos os dias da nossa vida como se fosse importante chegar a algum lado, e quando lá chegamos, vemos que, tanta correria só nos trouxe a noção real e exacta de que somos um produto descartável, que atingiu o seu prazo de validade e se deita para o lixo.
Corremos no dia a dia, como se da corrida dependesse estarmos vivos,esquecendo que de tanto correr, chegamos mais depressa ao fim.
Corremos numa espécie de fuga para a frente, passando, no afã de tanta correria, por cima de sentimentos, de estados de espírito e até de pessoas.
Corremos para atingir um fim, um objectivo, indiferentes ao que se passa ao nosso lado.
Corremos todos os dias da nossa vida como se fosse importante chegar a algum lado, e quando lá chegamos, vemos que, tanta correria só nos trouxe a noção real e exacta de que somos um produto descartável, que atingiu o seu prazo de validade e se deita para o lixo.
domingo, 4 de abril de 2010
ESTE CANTINHO À BEIRA MAR PLANTADO.
Deambulo à beira do Tejo
num entardecer luminoso,
onde o Sol começa, lentamente,
a adormecer no leito do rio.
Sento-me à mesa numa esplanada,
que não é mais do que um amontoado de
pedras com muitos, muitos anos,
dispostas de forma irregular.
À minha volta, ouço tagarelar.
Reparo que, na mesa à minha frente,
fala-se francês, um pouco mais ao lado, Inglês.
À nossa volta, o rio, maré cheia.
Em frente, Lisboa, majestosa, magnifica,
Banhada pelos reflexos do sol.
Atracados no Cais, dois navios de cruzeiros.
Inúmeros aviões cruzam o céu por cima das nossas cabeças,
já em rota descendente,
trem de aterragem pronto para descer em Lisboa.
Uns partem, outros chegam, outros ficam.
E, ali, no meio do Rio, rodeada de pessoas
Que falam outras línguas, sinto-me, também eu,
uma turista no meu próprio País.
Descubro, que afinal,
vivo mesmo num cantinho à beira mar plantado.
num entardecer luminoso,
onde o Sol começa, lentamente,
a adormecer no leito do rio.
Sento-me à mesa numa esplanada,
que não é mais do que um amontoado de
pedras com muitos, muitos anos,
dispostas de forma irregular.
À minha volta, ouço tagarelar.
Reparo que, na mesa à minha frente,
fala-se francês, um pouco mais ao lado, Inglês.
À nossa volta, o rio, maré cheia.
Em frente, Lisboa, majestosa, magnifica,
Banhada pelos reflexos do sol.
Atracados no Cais, dois navios de cruzeiros.
Inúmeros aviões cruzam o céu por cima das nossas cabeças,
já em rota descendente,
trem de aterragem pronto para descer em Lisboa.
Uns partem, outros chegam, outros ficam.
E, ali, no meio do Rio, rodeada de pessoas
Que falam outras línguas, sinto-me, também eu,
uma turista no meu próprio País.
Descubro, que afinal,
vivo mesmo num cantinho à beira mar plantado.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Sitios Mágicos.
Existem locais que, pela sua beleza, nos deixam sem respiração, nos fazem sentir do tamanho de
uma formiga neste nosso Universo.Locais onde vamos e tornamos a ir e de cada vez é sempre
como se fosse a primeira.Onde a natureza se mostra como é: indomável.
Locais que na nossa mente, se tornam únicos, nossos, como se fossem o "nosso cantinho," que sentimos como se fizessem parte do nosso corpo.
Pedaços de céu, de mar, de terra, pássaros, cheiros, tudo, em certos sitios nos deixa em paz, connosco e com o Mundo e nos reconduz à nossa real dimensão.
Locais que são como que um Santuário.
E, como todos os Santuários, por vezes são profanados.
E o meu "sitio especial", foi profanado. Nunca mais vou conseguir sentir o que sentia.Nunca mais vou conseguir encontrar a paz interior ao olhar aquele sitio.
E isso dói. Muito.
uma formiga neste nosso Universo.Locais onde vamos e tornamos a ir e de cada vez é sempre
como se fosse a primeira.Onde a natureza se mostra como é: indomável.
Locais que na nossa mente, se tornam únicos, nossos, como se fossem o "nosso cantinho," que sentimos como se fizessem parte do nosso corpo.
Pedaços de céu, de mar, de terra, pássaros, cheiros, tudo, em certos sitios nos deixa em paz, connosco e com o Mundo e nos reconduz à nossa real dimensão.
Locais que são como que um Santuário.
E, como todos os Santuários, por vezes são profanados.
E o meu "sitio especial", foi profanado. Nunca mais vou conseguir sentir o que sentia.Nunca mais vou conseguir encontrar a paz interior ao olhar aquele sitio.
E isso dói. Muito.
sexta-feira, 19 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Quarta
Conheci uma mulher com 63 anos.Empresária.Durante 42 anos construiu um negócio de família, com o marido e os filhos.Toda a sua vida trabalhou ombro a ombro com o marido, e à noite, em casa, era ela quem fazia tudo o resto para que a casa da família fosse um lar.
Nos dias em que o estabelecimento esteva fechado, o marido e os filhos iam passear, descansar, e
ela tratava das roupas, da limpeza da casa, das compras, das ementas dos jantares diários, etc...etc...Um dia, descobriu que os filhos já não precisavam da mãe, e o marido já não precisava da mulher.
Ele passou a sair com outras mulheres, como nunca saiu com ela. Os filhos começaram a levar-lhe os netos para cuidar no dia de folga e nas noites.
Está á beira da reforma do trabalho, da reforma do marido, dos filhos. Está sózinha.
E quando já não tiver que ir para o estabelecimento todos os dias, vai ficar sentada, em casa, em frente ao televisor, meio a dormir, meio acordada, a ansiar por aquele momento em que os netos cheguem para se sentir de novo viva.
No fim de uma vida inteira dedicada aos outros, ao trabalho, onde não sobrou nem tempo nem espaço para ela, o que vai ser desta mulher?
Nos dias em que o estabelecimento esteva fechado, o marido e os filhos iam passear, descansar, e
ela tratava das roupas, da limpeza da casa, das compras, das ementas dos jantares diários, etc...etc...Um dia, descobriu que os filhos já não precisavam da mãe, e o marido já não precisava da mulher.
Ele passou a sair com outras mulheres, como nunca saiu com ela. Os filhos começaram a levar-lhe os netos para cuidar no dia de folga e nas noites.
Está á beira da reforma do trabalho, da reforma do marido, dos filhos. Está sózinha.
E quando já não tiver que ir para o estabelecimento todos os dias, vai ficar sentada, em casa, em frente ao televisor, meio a dormir, meio acordada, a ansiar por aquele momento em que os netos cheguem para se sentir de novo viva.
No fim de uma vida inteira dedicada aos outros, ao trabalho, onde não sobrou nem tempo nem espaço para ela, o que vai ser desta mulher?
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